terça-feira, 24 de maio de 2011

ANÚNCIO


 Deus é a origem e o destino de toda criatura. Deus pessoal, absolutamente único, do qual tudo se origina e no qual se encontram a vocação e o destino último. Deixar Deus para outra hora da vida é diferente da ação de Jesus, que se inspira radicalmente na certeza de que o crer no Deus vivo, o levar absolutamente a sério o relacionamento de fé, de amor e de esperança para com o único Deus verdadeiro é o fundamento mesmo da vida humana e única garantia da participação na vida eterna com Deus.

[...] O centro do primeiro anúncio (querigma) é a pessoa de Jesus, proclamando o Reino como uma nova e definitiva intervenção de Deus que salva com um poder superior àquele que utilizou na criação do mundo. Essa Salvação “é o grande dom de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime a pessoa humana, sobretudo do pecado e do Maligno, na alegria de conhecer a Deus e ser por ele conhecido, de o ver e se entregar a ele” (EN 9; DGC 101). [1]

O conteúdo fundamental do querigma é a morte e ressurreição de Jesus Cristo enquanto acontecimento salvífico atual. O Diretório Nacional de Catequese, nos números 30‑32, explicita os elementos essenciais que devem fazer parte do querigma:
• Jesus que anuncia a chegada do Reino e o amor do Pai;
• a salvação em Cristo e a nossa correspondência e responsabilidade para com esse amor;
• a Igreja, germe e início desse Reino;
• o destino eterno e glorioso daquele que crê, ama e espera.

O querigma apresenta o primeiro anúncio vigoroso da pessoa de Jesus Cristo, do Reino, da Igreja e da salvação. Intui‑se que o Deus anunciado por Jesus Cristo é alguém significativo e vital para sua realização pessoal. “Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. Jo 1,38), mas é o Senhor quem os chama: ‘Segui‑me’ (Mc 1,17; Mt 9,9). É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã”. [2]

O Verbo de Deus, Jesus, se fez carne e tornou‑nos “participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). Isso para que, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a filiação divina, nos tornemos filhos de Deus. Jesus é a admirável união da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Verbo. Um na Trindade. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Com Jesus, Verbo de Deus encarnado, acontece a maior novidade: Deus se revela em seu Filho. A salvação nos foi dada, toda a plenitude da história humana chega ao seu ápice. Agora vivemos o tempo novo ou os últimos tempos, porque nada pode ser maior que a novidade: Jesus, o Filho de Deus que veio a este mundo para nos salvar.

O Reino não é comida nem bebida. Ele se faz presente naqueles que aderiram a Cristo e vivem conforme o modo que Jesus atuou nesse mundo. Jesus é o Messias esperado que veio libertar os oprimidos e inaugurar o “Reino de Deus [que] é justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

Esse foi o anúncio impactante de Pedro e Paulo que ficou registrado em Atos dos Apóstolos e nas Cartas. Em frases curtas e testemunhais apresentam o Deus revelado por Jesus e a novidade de vida que os levavam a ser apóstolos, enviados da verdade. “O poder do Espírito e da Palavra contagia as pessoas e as leva a escutar Jesus Cristo, a crer nele como seu Salvador, a reconhecê‑lo como quem dá pleno significado a suas vidas e a seguir seus passos”. [3]

São Paulo, em seu querigma, fala da relação pessoal com o único Deus verdadeiro como algo que precede o anúncio do Evangelho (At. 14,15; 1Ts 1,9‑10; Jo 17,3). Crer no único Deus verdadeiro não deve ser entendido apenas como ato nocional e cognitivo, mas sim como começar a ter uma relação pessoal de confiança e de amor para com Deus. Crer em Deus significa confiar nele (fides qua, adesão). Confiança de fé em um Deus que já se revelou e com o qual me comprometi. Âmbito da aliança (amor e confiança razoável). Não é confiança cega, está conjugada com uma determinada idéia de Deus e uma determinada verdade (conteúdos dogmáticos) que apóiam a confiança nele.

Padre Antonio Francisco Lelo
Doutor em Liturgia; editor‑assistente de Paulinas Editora
(In Prefácio à edição brasileira de “Anúncio Querigmático” de Joseph Gevaert)

[1]  CNBB, Diretório Nacional de Catequese, n. 30.
[2]  DAp, n. 278a.
[3]  Ibid., n. 279.

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