segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tecnologias na Catequese

Temos ouvido falar das novas tecnologias que devem estar ao serviço da educação. Mas que tipo de utilização é que se pode fazer das tecnologias na catequese?

Há quem pense que passa por fazer umas apresentações para mostrar às crianças.
E muitos catequistas já o fazem. Desta forma, estão a utilizar o computador apenas como um recurso pedagógico. É bom… mas é preciso ir mais longe.

Quando se fala da integração das tecnologias na educação, estamos a falar de recursos e de estratégias. Isto é, é preciso repensar a forma de fazer catequese, optando por outra pedagogia. É bom que se tenha conteúdos (apresentações/filmes) para apresentar. Mas não podemos esquecer que precisamos de questionar a metodologia que vem sendo adoptada.

O catequista não deve ser apenas o fiel transmissor da doutrina, fazendo das crianças depositários passivos, sem espírito crítico, não valorizando as suas experiências de vida e saberes construídos previamente. O catequista deve assumir o papel de facilitador, de orientador, menos directivo, promovendo a interação dentro do grupo, o trabalho de pesquisa e a capacidade de reflexão crítica. Assim, a criança aprende de uma forma mais autónoma, activa, com respeito pela diferença, com espírito crítico (capacidade de reflexão) e, por isso, mais significativa, isto é, cujo efeito perdure e se concretize na vida.

Os saberes construídos em cada encontro, juntamente com os conhecimentos prévios, e a interacção com o grupo e outras pessoas externas ao mesmo, permitirão a construção de novos caminhos para novas situações. Para melhor entendermos, apresentamos uma imagem: a forma de manter a areia na mão, é mantê-la aberta; se a fecharmos, com medo de perder a areia, esta escapa-se por entre os nossos dedos, e quando abrirmos a mão, restam poucos grãos.

Uma das situações problemáticas, com que nos deparamos na sociedade actual, é as crianças fruto de famílias desagregadas. Estas, sem culpa, terão que faltar frequentemente à catequese, em virtude de terem de passar fins-de-semana, alternados, com os progenitores. Consequência: faltas contínuas à catequese, falta de acompanhamento, e consequente desmotivação e desvinculação. Não esquecendo a pseudo questão da justiça em relação aos outros que são assíduos.

Será que não podemos fazer nada que minimize esta situação? Será que vamos ficar impávidos e serenos, ou a apregoar contra esta situação, em vez de procurarmos soluções?
Dentro do espírito de uma nova metodologia, e tentando encontrar uma resposta a esta situação problemática e desafiante, a Internet reúne uma séria de potencialidades que podem e devem ser aproveitadas ao serviço da catequese.

Não diabolizemos a Internet, culpando-a de todos os males. Encontremos, antes, soluções motivadoras, capazes de atrair e apostando em bom conteúdo. Não falo da simples navegação na Internet, mas de aproveitar os diversos serviços e ferramentas que ela disponibiliza.

Para não me alongar mais, fico por aqui, mas deixo a porta aberta para o debate sobre estas e outras questões. Não pretendo oferecer soluções perfeitas, mas estimular o debate e a reflexão, com espírito aberto.

Pe José Carlos de Azevedo e Sá.
Pároco das paróquias Sequeirô e Lama, Santo Tirso, Diocese de Braga

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